sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O início

Ser mulher nunca é simples. Temos cólica, menstruação, TPM e tudo ficou mais complicado quando parei de ter estes sintomas para ter outros: enjoos, náuseas, dor de cabeça constante...

Tenho 27 anos, sou a filha caçula de três irmãos e aos 36 anos minha mãe ficou viúva, tendo que criar nós três alone. Abdicando de sua juventude para se dedicar 100% a mim e aos meus irmãos. Eu tinha sete anos quando isso aconteceu e daí por diante minha vida, que já não era muito normal, ficou ainda mais diferente das crianças da minha idade. É provável que pelo mundo hajam muitas crianças com histórias parecidas mas, no meu ciclo social eu era a única a não ter um pai, padrasto, tio ou avó presente.

Aprendi desde cedo que a vida só é dura pra quem é mole e aos 14 anos tive meu primeiro emprego em tempo integral. Trabalhava das 08h as 18h e a noite ia pra escola. Sempre fui boa aluna, boas notas, bom convívio social e um grande interesse por leitura me levou a uma mania, leio tudo o que vejo: placas, letreiros, vitrines, painéis.. Enfim, tudo. Bom, esse passo me levou a conseguir duas bolsas de estudo e escolhi estudar Publicidade e Propaganda porque juntava tudo o que gostava num único curso.

Sempre fui planejadora, tinha minha vida toda catalogada até os 30 quando só tinha 15. E tudo ia muito bem até descobrir uns nódulos na tireóide quando estava no último ano da faculdade e fazendo meu TCC - escolhi monografia pois queria treinar para o mestrado que pretendia cursar no ano seguinte. Dos nódulos vieram algumas outras complicações, problemas no coração, na memória, sistema nervoso e vascular. Tudo isso junto trouxe um novo e grave problema e aos 20 anos tive Trombose Venosa Profunda na perna esquerda.

Levei dois anos para me curar de tudo isso e ter alta de 75% destes problemas. Neste período perdi o estágio e o TCC, se não fosse minha orientadora e sua compreensão eu jamais teria me formado naquele ano. Eu tinha algumas dívidas parceladas e sem trabalho e sem poder trabalhar meu nome foi direto para o cadastro dos inadimplentes.

Quando finalmente estava apta para o trabalho ninguém quis me dar emprego. Eu estava velha demais para um estágio e sem experiência para um trabalho fixo. E após muita procura aceitei um trabalho de Atendente de Telemarketing no Banco Itaú. Lá conheci pessoas maravilhosas, reaprendi como é bom ser independente e como sonhar nunca é demais. Continuei estudando e buscando uma colocação na área que era formada. E seis meses após entrar no Call Center o IBOPE (que até então eu nem sabia que existia), me convidou para um processo seletivo. Este processo durou 2 meses e eu não fui escolhida para a vaga mas fui indicada para outro departamento, passei e lá permaneci por três anos.

Me apaixonei pela área de Pesquisa e Mídia. Continuei estudando e fui promovida com um ano e meio de Empresa. E quando estava pra completar três anos senti que era hora de continuar os planos e busquei uma nova oportunidade no mercado. Para isso, aceitei um emprego com cargo e salário menores numa Agência de Publicidade. Continuei me desenvolvendo, aprendendo e com cinco meses de casa fui convidada para mudar para uma das maiores agências do Mundo. O cargo era maior e o salário dobrou. As atividades também triplicaram e eu nunca aprendi tanto em tão pouco tempo como nesta empresa.

Tudo muito bem, tudo muito legal faltava um namorado. Opa! Não falta mais. Reencontrei um antigo affair e começamos a namorar 3 dias depois. Um mês de namoro e assinamos os papéis para a compra de um apartamento. Tudo deu certo, usamos todas as nossas economias e créditos bancários para pagarmos documentação, entrada e iniciar a reforma. Nossa casa estava uma verdadeira casa de boneca e com tudo que sonhamos.

Por conta dos problemas de saúde que tive seis anos atrás não posso usar anticoncepcionais e um único vacilo resultou em um dia de atraso da menstruação.

Tudo bem, sem pânico. Sem crise! Estou noiva de um cara legal, temos nossa casa e vamos nos casar, se eu estiver grávida vai ser legal. Já tenho quase 28, pago minhas contas e tudo vai ficar bem. Mais ou menos.

O que veio depois é assunto para muitos outros posts desabafos.


Outro dia conto os detalhes sobre a descoberta. Prometo.

Obrigada por terem vindo até aqui, estou usando este espaço para desabafar sobre como é ser uma mamãe de primeira viagem que nunca se imaginou mãe nem de peixe.

Beijos e até breve.